domingo, 31 de julho de 2011

Festival de Verão, primeiros dias

 
Quando vim para a europa fazer meu intercâmbio pela FEA, eu não sabia de muitas coisas mas duas eu tinha certeza absoluta : ia ficar um ano e queria ir no máximo de shows que pudesse. Tinha saído do Brasil com a expectativa de ver bandas que eu sempre quis ver e me deparei nesse um ano longe,  com a minha pátria-mãe se nivelando com a Europa e os EUA em matéria de qualidade de bandas, que tocaram principalmente no segundo semestre brasileiro.  Começa a despontar no Brasil uma continuação direta dos shows feitos nos festivais de verão europeus e americanos , foi assim quando logo na minha primeira semana europeia vi bandas como Queens of the Stone Age , LCD Soundsystem, Massive Attack no  “Rock en Seine” em Paris, festival o qual tive o prazer de ver ainda Blink 182 e o qual perdi o ultimo dos 3 dias de festival por digamos assim “motivos de saúde”. Agora me deparo 11 meses depois, em outro país o qual fiz intercambio, Portugal, para ver o festival “Optimus Alive” em Lisboa.
      
 Sinceramente, quando programava meu ultimo mochilão , pensei sobretudo em tentar ir em pelo menos em um festival de verão. Depois de perder a chance de comprar ingressos para o Glasntonbury na Inglaterra, uns dos maiores do circuito, devido a um pequeno excesso de álcool no dia anterior, comecei a pesquisar aonde ir. Espantosamente me deparei com um festival na terrinha com a presença do Foo Fighters, banda que  escutava desde os 12 anos de idade e que tinha finalmente lançado um álbum descente em 9 anos. Detalhe eu tenho 21. Vendo as outras bandas, via que o palco de musica digamos “alternativa” estava melhor ainda, com bandas que eu tinha perdido a chance de ver no Brasil e outras que eu andava escutando bastante ultimamente. Além disso para completar o palco de música eletrônica tinha DJs e bandas que fariam a festa não parar até 5 da matina, Chemical Brothers, Duck Sauce, Diplo, Afrojack dentre outros . Para minha alegria ainda, na semana seguinte teria ainda outro festival em Portugal nos limites de Lisboa também, com Arctic Monkeys, Arcade Fire, Portishead e Strokes. Não tive dúvida e decidi que ia em ambos,mesmo que sozinho.
  
Pro Optimus chamei um amigo meu, o “Carioca”, ou , “Felipe Vale para as gatinhas da fea que quiserem me adicionar no face”,  intercambista a trabalho e que fez as fotos e vídeos dessa “missão jornalística “ pro Viscondão e pro blog que foi criado pelo tamanho do texto que me deparei ao escrever. O festival começava numa quarta-feira, tinha 4 dias e logo no primeiro  tinha Coldplay, banda que é até divertida e que tenho no ipod mas que nunca me dá vontade de escutar . Portanto não fui no primeiro dia , e só comprei pro últimos 3 dias. Entretanto ao andar pela cidade no dia inicial,pude ver muitos moleques com estilo de festival de rock( mochilas,camisetas de bandas,grandes grupos de amigos). Pensei “porra acho que vai lotar isso”. Ainda voltando pra casa umas 11 da noite, eu entro na casa do meu brother e ele me diz “chega ai na janela”. Dava pra escutar o show do Coldplay da sacada dele, “a parada é aqui perto de casa” disse ele, “da até pra voltar a pé”. “Caralho voltar a pé dum festival vai ser bom demais” pensei, e quanto ao Coldplay , não foi dessa vez quis escutá-los, mesmo “de grátis”.
 
Primeiro dia do festival, acordei com a “ressaca do futebol brasileiro”, fenômeno que ocorreu com diversos feanos que conheço e que acontece quando passa-se a ultima noite vendo um streaming porco do jogo do seu time até as 4-5 da manhã. Mas tudo bem, o Timão tinha ganho do Vasco por 2x1 e então a ressaca foi com um sorriso no rosto. Sai de casa fui até o Pingo Doce,Pão de Açucar luso, e comprei a chamada “ refeiçao da pobreza” do meu intercambio: macarrão de 39 cent , molho pesto a 1,29 e 1,5 l de Ice-Tea-pingo-doce a 50 cents. Queria um pão-de-forma pra fazer uns sandubas para o show e para a minha surpresa o pão custou mais do que a outra compra inteira. Ser farofeiro “nas europa” tava saindo mais caro do que esperava. Total 4,01 euros, tranquilo. Depois de um banho tomado, comida na pança, podia pegar o busão pra encontrar o Carioca na porta do festival.
          Caminhando rapidamente até a porta do festival (Jimmy Eat World já tinha começado) me deparei com o primeiro palco do festival, um arco com um palco em cima o que literalmente te fazia caminhar por debaixo dele para chegar a verdadeira entrada do festival,nele tocava uma banda de rock meio hardcore, e dava pra entrar bem no clima do show logo na fila. Chegamos e fomos direto pro palco principal onde o Jimmy tava tocando, banda que escutei muito quando era pequeno e que muitos devem conhecer pelo hit “ The Middle”. O show foi meio morno  por causa de ter sido realizado num palco muito grande pra banda, e porqueos fãs do My Chemical Romance, sim essa praga emo ainda existe, não deviam conhecer direito a banda. Mas valeu pelos hit como “The Middle” e “ Sweetness”. Logo que o show acabou fomos fazer um reconhecimento do festival, com seus palcos, e os sempre bem-vindos brindes e etc. Alias em relação a brindes, nada supera um canhão que lançava camisetas a 200 metros de altura e obrigava todo mundo a ficar se debatendo pra pegá-las, uma mistura de baseball com bate-cabeça  e levava “toda a gente” (expressão lusa) a se jogar e empurrar pra conseguir a camiseta. Estratégia? Esperar alguem pular pra pegar e esperar a camiseta cair no chão. Peguei uma mas não sem antes ter sujado minha mala e minha camiseta e ter suado igual um porco. Logo após a “batalha das camisetas” fomos para o palco música alternativa o qual ia tocar uma banda que se chama Bombay Bicycle Club. Já tinha escutado bastante o primeiro cd deles, era um rock indie mais agitado, descriçao rasa mas uma banda com um som realmente bom. Show agitado, todo mundo pulando e dançando, boa presença de palco da banda. Aquele tinha sido realmente o começo do festival pra mim, com um bom show musical. Fim, seguimos para tomar umas cervejas pelo festival enquanto esperavamos o show do Primal Scream, este que merece um páragrafo a parte.
              
Primal Scream estava fazendo uma turnê dessas em que se toca um álbum clássico, algo que o Roger Waters do Pink Floyd sempre faz pra ganhar umas verdinhas, e que nesse caso seria tocado o CD Screamadelica. Álbum extramente psicodélico, que em sua essência é de rock mas com uma pegada eletrônica, com um dos rótulos musicais atribuído de acid-house. Isso mesmo , House o genero que toca nas baladas e que tem a Europa com expoente. Ou seja, já estava com muita expectativa para esse show pela música em si, aliado a isso a turnê deles pelas bandas européias estava sendo muito elogiada, desbancando o U2 no festival  de Glastonbury. Cerveja vem e vai, me deparo com uns tiozões com camisetas do Primal Scream o que não é nada demais dado que eles são do final dos anos 80 e o cd de 1991 mas algo me chamou atenção, várias camisetas com a capa de Screamadelica e atrás escrito “Summer of 1993”. Fiquei pensando o que deveria ter sido um show deles tocando esse cd em 1993. Como opinião pessoal eu acredito que quando esse CD foi lançado, todos os hippies que usavam muito ácido encontraram um cd que lembrava o espírito da época. A banda entra no palco e começa música atrás de música em sua ordem original, até porque o álbum é uma obra contínua, em que o fim de uma música sempre leva ao começo da outra. Não existe outra palavra pra descrever esse show do que “psicodelia”, o público mais diverso que já vi num show desde de tiozões,a alternativos, a nego de balada, todos curtiam o show como se fosse uma grande festa.  Durante o concerto o vocalista fica o tempo todo dizendo “ Come on this a party”, incentivando todo mundo a esquecer que aquilo em si era um espetáculo. Show do caralho, e que vai ser realizado em São Paulo dia 24 de Setembro e que estou tentando angariar o máximo de amigos que curtem musica pra aproveitar esse show sensacional. Alias comprei o bluray do show e estou “vendo” enquanto escrevo isso haha. Show terminado, e encontro um tiozão com uma camiseta do “Summer of 1993” e o cumprimento, realmente dava pra entender o que tinha sido esse verão, psicodelia pura.
                  
Eu e Carioca ainda meio desnorteados depois desse show, sendo que ele tinha acabado de conhecer a banda e estava em êxtase. Durante o resto do festival apresentaria outras ainda pra ele e sempre com a frase “confie em mim”. Após o momento “larica dos muleke” com mais cerveja e kebab ficamos circulando pelo festival com direito a Iggy and The Stooges de trilha de fundo, show que já tinha visto em outras oportunidades(3) e que sabia já o que esperar, a música de fundo aliado a olhadas de longe no telão e acessos de doidera do Iggy bastariam pra mim. A noite ainda nos fazia aguardar o Foo Fighters o qual seria o último show de rock do dia mas não o último de música, pois ainda teriamos na tenda eletronica Buraka Som Sistema e Diplo. Ambos estavam dentro de um gênero de música eletronica que eu tinha escutado muito em Portugal, o Buraka é uma banda de Angola que toca um funk africano (quase brasileiro) chamado de kuduro, sim bunda(cú em português de Portugal) dura hahaha, misturado com eletônico e MC’s e tal, e já o Diplo é um DJ que toca música eletronica com batidas de funk mesmo, estilo rio mas sempre misturado com outras coisas mais pop. É tipo funk pra gringo curtir mas nem por isso ruim.
                  
 0:25 seria o horario do show do Foo Fighters, talvez o grande concerto de rock dessa temporada de festivais pela Europa e que esperava um show de quase duas horas com basicamente todo mundo do festival no palco principal pra ve-los. Meio que como uma criança que esperava o presente de aniversário há muito tempo, aguardava ansiosamente a banda porque porra é Foo Fighters né ? Gente chegando, palco enchendo, quando me dou por mim mesmo o show estava pra começar e não se podia mais se mexer. Show começa com hits atrás de hits, basicamente todos que você pode conhecer da banda, aliado as grande músicas do CD novo faziam um show com um espírito rock and roll não visto desde AC/DC no Morumbi. Passado uma hora de show vem o senhor Dave Grohl fanfarrão e diz “- vcs querem mais uma musica?”- todo mundo “ simmm porra”, - ele de novo “-e tres?”, todo mundo diz “- sim , por favor !” dai chega a última vez chamando o publico, “- e 10?” , com todo mundo dizendo que sim mas meio desacreditados , tipo falando “10? nem fudendo ele toca isso!”. Não só tocaram 10 como tocaram mais 13 músicas com direito a mais hits ainda, começo de uns pequenos bate cabeças e mensagens de amor ao publico que realmente estava correspondendo em todos os shows até agora. Aliás isso seria uma constante durante o festival, interação publico-banda realmente boa, os portugas tem o espírito brasileiro para shows, de se empolgar, pular , cantar e dançar mas um pouco menos baderneiros. Fim de show e olho no relógio e vejo que tinha se passado 2h25 de show, num festival! Em shows só do Foo Fighters em estádio e tal, algo que deve ser visto pelo Brasil lá por Abril/Maio o show deles dura quase 3 horas! o único porém, o senhor Dave Grohl com seu espirito rock and roll de verdade tinha me feito perder o show do Buraka. Filho da puta essa cara não?
                
Fomos pra tenda eletrônica ver o Diplo mas sem antes tomar umas belas de umas cervejas. Na tenda , não muito cheia até porqie era uma quinta-feira as 2 e poco da manhã e tinham pessoas que trabalhavam no dia seguinte, Carioca uma delas mas mesmo sim queria ficar até o final ahhahaha, “Descanso só domingo” segundo ele. Show do Diplo foi bom, bem bom na verdade com partipação especial do MC do Buraka, o que me fez ficar menos frustrado. Jogando suas batidas de funk e o cara cantando em cima foi bem daora mesmo, e isso era um show de música eletrônica mesmo, com baleias e bolas de piscina voando pela galera, com o MC jogando champagne na galera, com umas piriguetes paquerando o DJ. Foi bem foda mesmo pra acabar aquele que seria o primeiro dia do festival. Na volta nada de a pé, busão mesmo segurando os olhos pra não dormir e acordar do outro lado da cidade. O festival tinha se mostrado uma celebração da musica no primeiro dia, queria ver se o nível ia manter-se pelos outros dias.








Continua em breve, ser vagabundo é foda

2 comentários:

  1. Porra!!!!
    Pq eu não fiquei mais 4 dias na terrinha pra ver esse festival..........
    Agora vc vai ser obrigado a me levar num festival aqui no Brasil do msm nível do Optimus pq senão eu vou ficar traumatizado pelo resto da minha vida....
    hahhahahha
    Mto loko esse blog!!! Ve se mantem ele atualizado!!!!
    Abs

    ResponderExcluir
  2. ta demais Rolim!! A descricao ficou muito boa cara, bem detalhada e informativa. Por alguns momentos consegui ver a gente lah!! ehehheheheeh

    Boa sorte com o blog cara!! abs

    ResponderExcluir