Iria só pro rock in rio se fosse pra ver o Red Hot Chili Peppers, mas não fui, ingressos acabaram e não tinha ninguem pra me acompanhar na jornada. Por isso que quando o show deles foi anunciado para São Paulo, comemorei como um gol do Corinthians, não hesitei e comprei no dia que começaram a vender pela internet. Californication do RHCP foi o primeiro álbum que comprei na minha vida, e foi um dos que mais escutei na mesma. Aliás quem não teve um cd desse na infância com certeza foi uma pessoa infeliz quando pequena, porque é o tipo de álbum ideal pra ser iniciado no mundo rock. Leve e pesado, pop e funky, e com várias músicas clássicas. Portanto dá pra perceber como estava empolgado pra vê-los ao vivo, era um objetivo de vida ir num show dos caras, além disso, o Foals, banda que eu veria pela 4ª vez na minha vida (todas sensacionais) iria abrir. Tudo perfeito certo?
Mais ou menos, e pra isso é preciso voltar no tempo. Primeira semana de aula, todo os professores mostrando os programas do curso, dias de provas e etc, só alegria a não ser pela ótima notícia de que a primeira prova de econometria II seria no dia seguinte do show. Primeira coisa que pensei foi “ fudeu, não vai rolar aquele estudo na madruga pré-prova”. Vou admitir bateu meio aquele desespero porque econometria é foda, matéria difícil que tem que realmente estudar, ainda não trabalhava e pensei “ rola estudar enquanto isso”. Óbvio que deixei pra começar a estudar quando arranjei um trabalho(bom planejamento é foda mesmo né?) mas nem por isso deixei de ir no show, fiz de tudo pra não deixar nenhum estudo pra a partir das 6 da tarde daquela quarta-feira.
Tinha prova no dia seguinte então tinha que manter a sobriedade porque nunca ia achar um estimador beta com uma ressaca na cabeça. Andando pelo lugar encontro o Caio, brother feano que também tinha prova no dia seguinte e tava tão preocupado quanto eu. Era a noite sóbria pra ver o show, iria rolar com certeza aquela seriedade! Ficamos só na Coca(preta obviamente) e sempre Zero, nada que pudesse nos atrapalhar. Mas uma cervejinha , uma só, não mataria ninguém também certo?
Começa o show, eles tocam a primeira música do novo cd deles Monarchy of Roses. Sinceramente não gostei muito dela como abertura, sei lá soou meio estranha mas logo começaram os clássicos vai um Can’t Stop ai, depois um Tell me Baby , pra dai começar o Scar Tissue e ter neguinho passando mal adoidado. A galera ficou emocionada. O show continuou com algumas músicas do cd novo, que é muito bom com músicas como Look Around, Factory of Faith,Did I Let You Know,e a música-rádio deles no momento The Adventures of Rain Dance Maggie. Só não baixem o CD porque isso é ilegal pessoal. E sim eles tocaram os CLÁSSICOS em letra maiúscula. Under The Bridge (PORRRAAAAA), Higher Ground (sem palavras), Otherside( toca até em balada essa), Me & My Friends (nem achava que ainda tocavam essa), Californication(melhor série de tv né?) e By the Way (haha com todo mundo, inclusive a minha pessoa, sabendo cantar com detalhes aquela letra sem sentido)(ironia). A banda sai de palco, e nós entramos nos parenteses. No show tiveram dois momentos que me fizeram lembrar que tinha a prova no dia seguinte, o primeiro foi naquela pausa providencial pra beber algo, quando fiquei naquela indecisão , é água ou cerveja que tomo? Lembrei que tinha que ficar de boa e fui pra água. O segundo momento foi quando começou um bate-cabeça muito daora na nossa frente em By The Way, e po bate cabeça é sempre bom num show (uma música não mata ninguém) mas mesmo assim dei pra trás por causa da prova novamente e não aproveitei a música em sua forma mais bruta haha.
Eles voltam e tocam uma outra música do cd novo, Dance Dance Dance, com uma percussão incrível sendo feita pelo batera Chad Smith, botou todo mundo pra dançar mesmo. Veio Don’t Forget Me, música muito boa do cd By the Way e, que no show percebi que era a música perfeita pra ser tocada antes de Parallel Universe (minha favorita e que não tinha sido tocada ainda). Ela acabou e veio Give it Away, era o fim, e era foda a presença de palco, todo mundo percebendo que era o último momento de pirar no show deles, funk-rock puro sendo tocado! Acabou, e começou o “ One more, One more” sendo gritado pela galera. Não rolou, mas o baixista Flea veio pro palco e deu um discurso dizendo que amavam o Brasil, que era um prazer imenso “tar” aqui, queriam voltar o mais cedo possível e que o público tinha sido especial naquela noite. Olho pro lado e tem uns caras falando “ porra que show, to muito louco”, haha eu não tava louco naquele sentido mas tava louco pela música que tinha sido tocada, e pelo momento histórico na minha vida de shows, tinha visto OS caras. Antes de voltar pra casa sempre rola aquele caos pra sair do Anhembi, e tudo mais, mas tudo bem, nada que afetasse o meu humor ou que me fizesse lembrar que eu tinha uma prova em pouco mais de 7 horas. Ah sobre ela? Sei lá daqui um mês eu vejo, mas tudo bem, tem outras provas pra se recuperar, já o Red Hot em São Paulo eu sei lá quando verei de novo.